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  • Foto do escritorMarcio Both

O Imperial Instituto Fluminense de Agricultura - 1860-1891

Atualizado: 5 de jan. de 2023

Em Marcado pela própria Natureza, a historiadora Begonha Bediaga conta a história do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura (IIFA), instituição que foi fundada em 1860, sob a proteção de D. Pedro II, e que funcionou até 1891.

O objetivo principal do IIFA, assim como dos outros institutos de agricultura criados na época (Bahia, Sergipe e Pernambuco), era proporcionar meios para melhorar a agricultura brasileira, fazê-la se aproximar da agricultura que vinha sendo praticada na Europa e nos Estados Unidos. Além disso, o IIFA e os outros institutos buscavam ser uma resposta ao conjunto de transformações pelas quais o país passou na segunda metade do século XIX, com destaque especial para a proibição da entrada de escravos e a Lei de Terras de 1850. Assim, via a instrução agrícola, a vulgarização de conhecimentos científicos, a introdução de novos métodos e tecnologias de produção, objetivava-se oferecer uma resposta ao descontamento que algumas medidas vinham produzindo no seio da grande lavoura.


Para dar conta de cumprir seus objetivos, ao IIFA foi dada a incumbência de gerir o Jardim Botânico, fundado em 1808. No seu interior também funcionava um Asilo para menores, criado em 1869, e uma Fazenda Normal, instituída em 1861, quando o Jardim Botânico passou para alçada administrativa do IIFA. Ao longo de sua existência, também foi realizada a tentativa de criar um Museu Industrial no interior do Instituto, mas ela acabou não perseverando, embora investimentos tenham sido feitos e a construção do prédio que abrigaria o museu iniciada em princípios da década de 1870, sendo demolido em 1887.


Ainda em termos de suas características estruturais, vale destacar que o IIFA, durante sua existência, contou com a participação de alguns dos principais nomes vinculados a ciência e produção científica no Brasil do século XIX, os quais ocuparam diferentes papeis na instituição, seja na área administrativa ou compondo o rol de seus sócios, conselheiros e apoiadores (Frederico Burlamaqui, Guilherme Schüch Capanema, Luís Pedreira do Couto Ferraz, Carlos Glasl, Miguel Antônio da Silva, Nicolau Joaquim Moreira, Ladislau de Sousa Melo e Netto, Sebastião Ferreira Soares, dentre outros). No mesmo sentido, de 1869 a 1891, o IIFA produziu a Revista Agrícola, um dos principais periódicos a tratar de temas relativos a agricultura, sua aproximação com a ciência e seu melhoramento. Diferentemente dos seus congêneres da Bahia, Pernambuco e Sergipe, o IIFA tinha uma abrangência nacional e juntamente com o Imperial Instituto Baiano de Agricultura é considerado uma das principais instituições a produzir meios e abrir os caminhos para a institucionalização da agronomia no Brasil e, consequentemente, para a profissionalização do campo científico agrícola.


Na verdade, demonstrar o protagonismo do IIFA nesse processo é o foco principal do livro de Begonha Bediaga, objetivo que é cumprido com precisão e eficácia. A partir de uma análise aprofundada e rigorosa de diferentes fontes – relatórios ministeriais, atas das sessões de reuniões da diretoria do IIFA, algumas correspondências trocadas por seus diretores com outras autoridades e a Revista Agrícola –, bem como da discussão com um amplo referencial bibliográfico (nacional e internacional) a autora demonstra que, mesmo diante da baixa eficácia da maior parte das iniciativas e atividades desenvolvidas pelo IIFA e das constantes críticas de que foi objeto, ele teve papel fundamental no desenvolvimento e institucionalização da agronomia no Brasil e, em um sentido mais geral, na constituição e formatação do próprio campo científico no país. Portanto, a importância do IIFA, em termos do desenvolvimento científico brasileiro, supera o momento de sua existência histórica. Dessa maneira, sua atuação compõe um dos mais importantes e ainda pouco conhecidos capítulo da história da ciência no Brasil.

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